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1.12.11

FATE!


Como o tema é bastante amplo, navegando pelo social, filosofia, ambiente, política, economia e artes, penso que este trabalho reflete a força da diversidade biológica (biodiversidade) e a força (importância) das várias formas (diversidade) de comunicação através das artes plásticas. A extinção da biodiversidade pelo homem e a consequente extinção do próprio homem ( a maior diversidade de ervas daninhas do planeta).

W.Radwan

3.11.11

FATE: Nova fase, mea culpa, outro lado.


Agora 2011, no início do ano, depois da minha exposição Autorretrato, com mais de 30 esculturas, volto com Fate, uma nova fase que pode, com certeza, ser considerada oportuna, politicamente correta, calculada e estratégica, entre outras afirmações.

É, pode até ser tudo isso, mas tenho certeza de que, se assim o for, é em proporção diminuta, pois tenho a convicção que é acima de tudo uma mea culpa, por ter sido madeireiro e, como tal, completamente descomprometido com a vida do planeta.

Ao longo do meu contato com o sentimento da minha arte, ou com a arte dos meus sentimentos alterados, fui me envolvendo e, de fato, me envolvi até ficar horrorizado com simples lembranças do meu dia a dia: as máquinas, tratores, serras, caminhões, o fogo, o frenesi assustador.

São muitas as imagens que hoje me doem, me cortam e me inspiram ao inverso: os caminhões empilhados de toras em caravanas intermináveis a caminho do sudeste e do Porto de Belém; mergulhadores cortando árvores submersas pela lagoa de Tucurui ; caminhões com gado chegando de todos os lugares, para ocupar os pastos recém formados; gente apinhada em lotações, ônibus e boléias.

Para qualquer leigo, ignorante, ou para um cego capitalista, a visão era de prosperidade, de trabalho; uma dinâmica similar à conquista do oeste americano, mas radicalmente diferente. Poderíamos até chamar de oeste tupiniquim, com suas pessoas desdentadas e curtidas pelo sol; crianças descalças, sujas, redondas de barriga d’água; valas negras a céu aberto, falta de energia e água potável;  prédios maltrapilhos, caminhões sem cabine com os motores à mostra e, muitas  vezes, um mero caixote como assento do motorista. Cenas e sentimentos embolados.

Convivi com inúmeras pessoas que trabalhavam apenas pela comida e outras que viviam da caça, caça de qualquer espécie. Sem qualquer pudor, naquela selva de homens, seres humanos (?) matavam macacos, pássaros e animais silvestres para se alimentar, enquanto outros seguiam em carvoarias para alimentar as grandes usinas da região. O amanhecer nestas regiões era coberto de nevoeiro que lembrava o fog londrino... Que ironia, era apenas a  fumaça das dezenas de fornos de fabricação de carvão. Nada era poupado de mais um pouco de destruição, nada.

Pois é, eu mudei de cenário, mudei de lado. Mas e o resto? E quanto aos coadjuvantes? E quanto àqueles  pobres figurantes? O ser humano vai sempre atender ao seu primeiro instinto, “A Sobrevivência”. De nada  adiantam protestos,  exposições,  fóruns, mídia, passeatas, discursos, enfim. Enquanto não forem criados meios para àquele povo subsistir, NADA VAI MUDAR. No matter what.

Em que consciência sã uma mãe irá assistir seu filho morrer a míngua de fome, subnutrição ou doença por conta de uma preservação que, diga-se por sinal, sequer entende o significado? Aquele povo acha até graça quando se fala em não matar um animal ou derrubar uma árvore, principalmente quando seu próprio marido foi morto por especuladores de terras; caçado, ironicamente, como animais,  por jagunços contratados para expulsá-los do seu próprio chão.

O que podemos argumentar com uma mulher que perdeu marido e filho, porque, na esperança de que os pistoleiros mercenários não atirassem em uma criança, o pai colocou seu filho nas costas e atravessaram com tiros os dois.

Precisamos outorgar poderes, quase absolutos, a uma pessoa incorruptível, que comandaria a repressão a essa violência e colocaria ordem nessas regiões; enquanto intelectuais, indigenista, botânicos, administradores, ONGs, governos estaduais, e poder federal, trabalhassem juntos em torno de uma política, justa, sustentável e definitiva. Essa é a matemática. Um mais um, finalmente, seria igual a dois.




É necessário ainda acabar de vez com a hipocrisia, o mau-caratismo, a ganância e a falsidade de muitos países, principalmente os mais desenvolvidos. Em especial a Europa, sim, a Europa, o velho continente, o berço da cultura. A mesma Europa que lidera as listas de países que mais compram madeira do Brasil para depois chegarem cheios de moral em Davlos e em tantos outros fóruns.

Somente em 2010, importantes países como a Bélgica, Estados Unidos, França, Reino Unido, Japão, China, Holanda, Itália, Canadá, Portugal, Espanha, África do Sul entre outros, tiveram um aumento na demanda de compra de madeira em torno de 2 a 40%. Viva o homem! Racinha de merda.

Se o governo e o mundo se tornarem menos hipócritas, e agirem em torno de uma política de não só de preservação, mas também de destinos turísticos para a região, talvez ela se tornasse a maior fonte de renda deste país e, em um futuro próximo, estaríamos dando um passo determinante para a sobrevivência de futuras gerações. Parece complicado, mas é o nosso Fate , o destino em nossas mãos. 


Wagdy Radwan





2.11.11

FATE! Fragmentos...

Ao atender as fraquezas do EGO, muitas vezes, você estará mudando seu destino, e mudando para pior. 






Se compro mais um imóvel,  abro outra loja, casa de praia, um bom relógio, uma jóia, uma obra de arte, um carro, uma roupa de marca é porque estou marcando território, quero ser o rei da savana, impressionar as fêmeas, pois sou um animal, apenas com mais arrojo. 

Wagdy Radwan

Fate! Fragmentos...


Você quer, realmente, conhecer uma pessoa? Dê a ela o poder. Você quer conhecê-la melhor ainda? Assista como ela reage sob pressão.

Quando coisas ruins acontecerem, e isto é fato, é importante você ter atitudes positivas para elevar seu espírito e aumentar sua auto-estima.

Uma máxima, confortavelmente, adequada à religião: Toda desgraça é provação, toda conquista é recompensa pela fé.

                                                                                                           Wagdy Radwan

FATE: Pouquíssimo é muitíssimo.


Meus amigos, estou de saco cheio de tudo. Não suporto mais essa complexidade que um ser “des-humano” tem de complicar as coisas. De navegar por páginas e páginas descritivas de uma simples pedrinha ou folhinha...Da capacidade de, fazendo isso, ganhar o status de especial, virtuoso; de conseguir,  na verdade, apenas preencher um vazio assustador; de adquirir um motivo para ser diferenciado de toda e qualquer espécie.

Sabemos que um intelectual que evoluiu o seu intelecto ao extremo não é uma espécie diferente de um simples agricultor, ignorante e autômato, que apenas segue vivendo, certo? Então para que isso tudo? Ao checar esse ciclo vicioso que remonta a Platão, ou até antes dele, que mudança a humanidade conseguiu? Absolutamente nenhuma. Os debates, discussões, análises, estudos, leituras e releituras, fóruns, psicanálises e filosofias se perpetuam criando uma falsa motivação para seguir vivendo, além da de estarmos simplesmente vivos.

Você quer seguir vivendo? Eu quero. Mesmo nesse ‘nonsense’, então basta aceitar a sua condição realista e ser simples. Simples como uma planta ou uma pedrinha, só, somente só, nada mais. Ao constatar isso, sinto no meu intelecto e na minha alma que  quero fazer minha arte sem participar desse alvoroço social pré-criado; não quero participar de concurso nenhum, pelo menos nesse momento em que consegui adormecer meu ego imbecil.

Não quero ouvir análises descritivas quilométricas de uma obra minha. Quero algo bem mais simples do que isso. Quero mandar meu recado: alegrar uma parede, tocar pela originalidade, incitar a preservação da natureza (mais simples que isso? preservar o habitat). That’s it!

A “des-humanidade” não tem o que fazer, essa é a verdade. Ou disputa as riquezas do mundo para satisfazer o famigerado EGO, ser o leão da selva; ou o que vemos são pseudo, novos ou velhos  intelectuais, repetindo a historia de se afirmar como um ser iluminado. A própria arte se presta, para alguns, a preencher este vazio, este niilismo existencial, mas no fim pouquíssimo é muitíssimo.





 Wagdy Radwan


29.10.11

FATE e o Brasil, nosso espaço no Mundo.



Venho pensando nisto há muito e ainda não consegui chegar a uma conclusão: “Por que as pessoas, especialmente no Brasil, não possuem opinião própria? Por que não emitem suas opiniões embasadas em estatísticas, em análises dos fatos, recentes e históricos; tendo o cuidado de manter uma postura crítica em relação às fontes, de observar os interesses do locutor e da matéria; de ficarem atentos aos vícios e maldades; à honestidade ou ausência dela; às verdades ou premeditações?”. Não sei.

Talvez seja a total falta do exercício analítico, talvez a falta de introspecção ou ainda a falta de auto-estima para acreditar que você pode e deve ser um contestador, um ponderador; que você pode e deve dar opiniões, contrapontos; que você pode brigar, gritar, enfim exercer sua cidadania.

Talvez seja também tão somente a ignorância política do povo brasileiro que simplesmente passa adiante o que ouviu em algum lugar, sem entender o que ouviu; que lê uma manchete e a torna a verdade de todas as verdades, repassando-a  como verdadeiros autômatos.

Esta fragilidade cultural e política, esta falta de informação armazenada em nosso chip de memória, e a nossa falta de educação, propriamente dita, é que nos leva a esse legado de medíocres, incluindo políticos, escritores, teatrólogos, artistas, jornalistas, intelectuais, enfim, uma massa sem personalidade, sem imaginação, sem originalidade, sem costumes e hábitos próprios.

Somos uma sociedade que copia absolutamente tudo. Imita tudo, até as gírias e gestos mais banais. O pior é que, quase sempre, o que vemos não uma cópia aprimorada. No geral, o pupilo não supera o mestre, limita-se a reproduzir uma imitação pobre, ridícula e triste do que teve acesso: a verdadeira “gambiarra”. Isto ocorre em absolutamente todas as áreas de nossa sociedade, com raríssimas exceções. Que tristeza, que pena, que raiva da verdade na afirmação de Charles de Gaulle, na piada sobre o povo brasileiro. QUE IRONIA!

As coisas que se repetem nas televisões, artes, jornais, política e filosofia, muitas vezes são de matar de vergonha, tamanha a falta de cara própria; de um rosto que possamos chamar de nosso; de cópias tupiniquins, mal produzidas. Isto é demais. Uma vez disse a uma amiga dinamarquesa, que reclamava da monotonia em seu país: “somos felizes, é, talvez, mas somos acima de tudo um povo com o caráter em formação, ou seja, lamentavelmente, sem caráter".

Escrevo isso não por ser um grande filósofo, muito menos letrado ou sociólogo. Não, não sou grande em nada, sou um pouco de tudo, mas acima de tudo sou introspectivo. Hoje estou cada vez mais engajado com as causas sociais e humanitárias, e graças a Deus, pertenço ao ocidente,que me lapidou e educou, controlando assim, a vontade raivosa de vingança.


Wagdy Radwan