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4.4.12

WRadwan no 9º Salão Artes Plásticas da ABMA!


Ampulheta do Verde  e  Esperança

(60 x 206 cm - Acrílica, tubo e madeira) - (60 x 100 cm - Acrílica, carvão e madeira)


Minhas obras Ampulheta do Verde e Esperança estão entre as selecionadas pelo  9º Salão de Artes Plásticas da Academia Brasileira do Meio Ambiente, no Museu Histórico do Exército no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro. A exposição antecipa as comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente (no próximo dia 5 de junho) e fica em cartaz até 12 de abril, de 3ª a domingo, das 10 às 18hs. #ExpoNews!




29.2.12

Escultura 'Polo Sul' W.Radwan: Visão ou retrato?


2011 Polo Sul - Escultura W.Radwan x 2012 Polo Sul - Rios superficiais descobertos por cientistas



O homem sabe exatamente para onde está caminhando (ou seria correndo?), mas é incrível como prevemos e assistimos nosso próprio futuro sem conseguirmos nos deter! Há algumas semanas, uma equipe de cientistas brasileiros e chilenos descobriu rios superficiais (foto à direita) gerados pelo aumento da temperatura em uma geleira situada a cerca de mil quilômetros do Polo Sul.

Na ocasião da descoberta, o glaciólogo Ricardo Jaña, do Instituto Antártico Chileno (Inach) revelou à imprensa o quanto essa descoberta foi inesperada, já que nessa região da Antártida as temperaturas se mantêm quase sempre abaixo de zero.


"O que chama a atenção do fenômeno da mudança climática é a velocidade com a qual acontece nesta parte do planeta". (Ricardo Jaña - cientista - 2012).


Que a temperatura global está aumentando é um fato incontestável, não requer mais discussão. A questão no momento é saber quais são as causas desse aquecimento e tomar as medidas preventivas para melhorar o futuro da humanidade diante das conseqüências desastrosas que se aproximam. Desculpem o trocadilho, mas precisamos reverter os quadros acima! Já.




Fotos: 

W.Radwan Escultura Polo Sul - 220 x 130 cm - Acrílica, PVC e madeira (acima à esquerda)
Geleira no Polo Sul: - Chris Jackson/Getty Images (acima à direita)

Fonte:

23.2.12

Ceci est une hommage à Magritte.


René Magritte - La trahison des images - 1228/1929



O instigante quadro La trahison des images, de René Magritte, - onde um dos maiores artistas do Séc. XX retrata um perfeito cachimbo, mas que declara na própria tela que não é um cachimbo - é um dos maiores exemplos de uma obra ícone!

Sim, você não pode encher o cachimbo da tela de fumo; não pode fumá-lo, ele não vai produzir fumaça, nem qualquer odor. Ele vai ficar ali, imóvel, sem qualquer dimensão. E então, o que está ali é um cachimbo?

Esse ângulo inesperado e essa deliciosa provocação fizeram desta tela uma das obras mais citadas, relidas, reinterpretadas, aludidas, reproduzidas e homenageadas do mundo; através de escultores, pintores, designers, publicitários, fotógrafos e ilustradores de toda ordem! O próprio Magritte voltou ao tema décadas depois com a obra Les deux mystères (1966).


René Magritte - Les Deux Mystères. 1966
Óleo sobre tela. 65x80 cm.


Aqui vai à minha própria homenagem a esta icônica obra desse maravilhoso artista surrealista belga e, mais abaixo, algumas outras colaborações ao que tem se tornado uma interessante (e cada vez maior) coleção de comentários artísticos (ou não) sobre o mesmo tema!



WRadwan - Homenagem a Magritte

100 x 80 cm - Acrílica e madeira



Imagem Flickr






Campanha Publicitária da empresa Allianz 2006.


Imagem Flickr















10.2.12

FATE : Acaso.



W.Radwan -  Acaso
70 x 90 cm - Acrílica e madeira



"O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor. "

Arthur Schopenhauer (Aforismos para a Sabedoria de Vida)



3.2.12

Inspirações: Frans Krajcberg sempre!




"Com minha obra, exprimo a consciência revoltada do planeta." (F.K)




"Existe hoje uma consciência mundial em favor do meio ambiente. Graças a eIa, reforça-se a idéia de que a sobrevivência da humanidade depende diretamente da sobrevivência do planeta. Essa dependência não é somente de ordem física. Ela é também uma fonte de inspiração espiritual, que nos permite antever um tempo infinito e dar maior sentido à vida." (F.K)




"Eu acho que a Amazônia vai desaparecer. Pelo jeito que estão fazendo, não vai durar muito. E eu me pergunto: por quê? São sempre os mesmos, não é o povo que invade a Amazônia. São muitas especulações de terra, de dinheiro, para liquidar esse povo cada vez mais." (F.K)







"A situação do planeta é grave. A natureza é vingativa e nós a machucamos demais. Não podemos continuar passivos"

Frans Krajcberg


W.Radwan e Frans Krajcberg, fonte (inesgotável) de inspiração...






W.Radwan - Homenagem a Krajcberg - Série Fate.
140 x 190 cm - Acrílica, PVC e madeira





31.1.12

W.Radwan: A ampulheta do Verde! Série Fate.

Estudos de cientistas brasileiros e do exterior, integrantes do grupo Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que há 15 anos pesquisa os efeitos climáticos e humanos na região, aponta que a expansão agropecuária, a atividade madeireira descontrolada e as mudanças climáticas já provocam distúrbios na bacia amazônica, principalmente na borda da floresta, nos estados do Pará, Rondônia e Mato Grosso.

O grupo, que é coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), alerta que essa conjunção de fatores podem gerar uma “catástrofe ambiental” no bioma, com reflexos na temperatura e no sistema de chuva, aumentando, significativamente, os períodos de seca intensa.

As consequências, incluiriam a queda na produtividade agropecuária, elevação de casos de doenças respiratórias, enchentes, redução da oferta de água potável, prejuízos à navegação e à geração de energia por hidrelétricas.

(Fonte: Nature - Janeiro 2012)






W.Radwan - Ampulheta do Verde II
37 x 81 cm - Acrílica, PVC e madeira








PARA SABER MAIS:



27.1.12

FATE! Homenagem a Volpi!

W.Radwan - Homenagem à Volpi - Série Fate - 2011
140 x 90cm - Acrílica e Madeira

Na série FATE há algumas homenagens a inspiradores artistas. Volpi é um deles, com a citação na escultura acima  das icônicas bandeirinhas, que tornaram-se a maior marca de sua obra, a partir dos anos 50.

Obra de Volpi  na Capela Cristo Operário, na Escola Dominicana de Teologia, Alto do Ipiranga


Autodidata, Alfredo Volpi chegou à abstração por caminhos próprios. Filho de imigrantes italianos, chegou ao Brasil com um pouco mais de um ano e foi aqui , mais tarde, que descobriu sua arte. Aos 16 anos pintava frisos, florões e painéis. Artesão nato, construía suas próprias telas, pincéis e mesmo as tintas, que eram feitas com pigmentos naturais.

Sereia - Volpi

Sua evolução como artista foi natural,  da geometrização das formas, até a abstração livre e dinâmica de seus últimos trabalhos. Volpi nunca acreditou em inspiração, sua percepção e sua simplicidade eram suas grandes fontes.
...
Nos anos 50, as bandeirinhas e mastros de festa junina integraram-se à paisagem de sua obra. Nos anos 60, tornaram-se ícones dela, enchendo seus trabalhos de ritmo, cor e luz.

Grande Fachada Festiva - Volpi


Bandeirinhas - Volpi

" Um pintor de bandeirinhas eu? Quem pinta bandeirinhas é o Penacchi. Eu pinto formas, cores."

Alfredo Volpi (1896 - 1988)



Fontes e Fotos:

21.1.12

W.Radwan: Vôo da Esperança - Série Fate


W.Radwan - Vôo da Esperança - Série Fate - 2011
150 x 120 cm - Acrílica, PVC e madeira



"A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por atividades humanas não compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus recursos é resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo."

Dalai Lama



Fonte: Texto extraído da obra A Policy of Kindness, Snow Lion Publications, 1990





3.12.11

Fate I Contagem regressiva!


FATE Esculturas
06 de dezembro!


Galeria Almacén
Casa Shopping - Barra da Tijuca - RJ
Av. Ayrton Senna, 2150 - Bl G - Loja F/M
(21) 3325 3322 - 3225 8622 - almacen@almacen.com.br



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1.12.11

FATE!


Como o tema é bastante amplo, navegando pelo social, filosofia, ambiente, política, economia e artes, penso que este trabalho reflete a força da diversidade biológica (biodiversidade) e a força (importância) das várias formas (diversidade) de comunicação através das artes plásticas. A extinção da biodiversidade pelo homem e a consequente extinção do próprio homem ( a maior diversidade de ervas daninhas do planeta).

W.Radwan

3.11.11

FATE: Nova fase, mea culpa, outro lado.


Agora 2011, no início do ano, depois da minha exposição Autorretrato, com mais de 30 esculturas, volto com Fate, uma nova fase que pode, com certeza, ser considerada oportuna, politicamente correta, calculada e estratégica, entre outras afirmações.

É, pode até ser tudo isso, mas tenho certeza de que, se assim o for, é em proporção diminuta, pois tenho a convicção que é acima de tudo uma mea culpa, por ter sido madeireiro e, como tal, completamente descomprometido com a vida do planeta.

Ao longo do meu contato com o sentimento da minha arte, ou com a arte dos meus sentimentos alterados, fui me envolvendo e, de fato, me envolvi até ficar horrorizado com simples lembranças do meu dia a dia: as máquinas, tratores, serras, caminhões, o fogo, o frenesi assustador.

São muitas as imagens que hoje me doem, me cortam e me inspiram ao inverso: os caminhões empilhados de toras em caravanas intermináveis a caminho do sudeste e do Porto de Belém; mergulhadores cortando árvores submersas pela lagoa de Tucurui ; caminhões com gado chegando de todos os lugares, para ocupar os pastos recém formados; gente apinhada em lotações, ônibus e boléias.

Para qualquer leigo, ignorante, ou para um cego capitalista, a visão era de prosperidade, de trabalho; uma dinâmica similar à conquista do oeste americano, mas radicalmente diferente. Poderíamos até chamar de oeste tupiniquim, com suas pessoas desdentadas e curtidas pelo sol; crianças descalças, sujas, redondas de barriga d’água; valas negras a céu aberto, falta de energia e água potável;  prédios maltrapilhos, caminhões sem cabine com os motores à mostra e, muitas  vezes, um mero caixote como assento do motorista. Cenas e sentimentos embolados.

Convivi com inúmeras pessoas que trabalhavam apenas pela comida e outras que viviam da caça, caça de qualquer espécie. Sem qualquer pudor, naquela selva de homens, seres humanos (?) matavam macacos, pássaros e animais silvestres para se alimentar, enquanto outros seguiam em carvoarias para alimentar as grandes usinas da região. O amanhecer nestas regiões era coberto de nevoeiro que lembrava o fog londrino... Que ironia, era apenas a  fumaça das dezenas de fornos de fabricação de carvão. Nada era poupado de mais um pouco de destruição, nada.

Pois é, eu mudei de cenário, mudei de lado. Mas e o resto? E quanto aos coadjuvantes? E quanto àqueles  pobres figurantes? O ser humano vai sempre atender ao seu primeiro instinto, “A Sobrevivência”. De nada  adiantam protestos,  exposições,  fóruns, mídia, passeatas, discursos, enfim. Enquanto não forem criados meios para àquele povo subsistir, NADA VAI MUDAR. No matter what.

Em que consciência sã uma mãe irá assistir seu filho morrer a míngua de fome, subnutrição ou doença por conta de uma preservação que, diga-se por sinal, sequer entende o significado? Aquele povo acha até graça quando se fala em não matar um animal ou derrubar uma árvore, principalmente quando seu próprio marido foi morto por especuladores de terras; caçado, ironicamente, como animais,  por jagunços contratados para expulsá-los do seu próprio chão.

O que podemos argumentar com uma mulher que perdeu marido e filho, porque, na esperança de que os pistoleiros mercenários não atirassem em uma criança, o pai colocou seu filho nas costas e atravessaram com tiros os dois.

Precisamos outorgar poderes, quase absolutos, a uma pessoa incorruptível, que comandaria a repressão a essa violência e colocaria ordem nessas regiões; enquanto intelectuais, indigenista, botânicos, administradores, ONGs, governos estaduais, e poder federal, trabalhassem juntos em torno de uma política, justa, sustentável e definitiva. Essa é a matemática. Um mais um, finalmente, seria igual a dois.




É necessário ainda acabar de vez com a hipocrisia, o mau-caratismo, a ganância e a falsidade de muitos países, principalmente os mais desenvolvidos. Em especial a Europa, sim, a Europa, o velho continente, o berço da cultura. A mesma Europa que lidera as listas de países que mais compram madeira do Brasil para depois chegarem cheios de moral em Davlos e em tantos outros fóruns.

Somente em 2010, importantes países como a Bélgica, Estados Unidos, França, Reino Unido, Japão, China, Holanda, Itália, Canadá, Portugal, Espanha, África do Sul entre outros, tiveram um aumento na demanda de compra de madeira em torno de 2 a 40%. Viva o homem! Racinha de merda.

Se o governo e o mundo se tornarem menos hipócritas, e agirem em torno de uma política de não só de preservação, mas também de destinos turísticos para a região, talvez ela se tornasse a maior fonte de renda deste país e, em um futuro próximo, estaríamos dando um passo determinante para a sobrevivência de futuras gerações. Parece complicado, mas é o nosso Fate , o destino em nossas mãos. 


Wagdy Radwan





2.11.11

FATE! Fragmentos...

Ao atender as fraquezas do EGO, muitas vezes, você estará mudando seu destino, e mudando para pior. 






Se compro mais um imóvel,  abro outra loja, casa de praia, um bom relógio, uma jóia, uma obra de arte, um carro, uma roupa de marca é porque estou marcando território, quero ser o rei da savana, impressionar as fêmeas, pois sou um animal, apenas com mais arrojo. 

Wagdy Radwan

Fate! Fragmentos...


Você quer, realmente, conhecer uma pessoa? Dê a ela o poder. Você quer conhecê-la melhor ainda? Assista como ela reage sob pressão.

Quando coisas ruins acontecerem, e isto é fato, é importante você ter atitudes positivas para elevar seu espírito e aumentar sua auto-estima.

Uma máxima, confortavelmente, adequada à religião: Toda desgraça é provação, toda conquista é recompensa pela fé.

                                                                                                           Wagdy Radwan

1.11.11

FATE: Bastidores...


Fiquei assustado com a força frenética que tomou conta dos meus pensamentos com esta nova exposição. Não consegui  parar  de desenhar e produzir. Não me recordo, realmente, de já ter me sentido tão cansado, exaurido, física e mentalmente. Meus olhos ardiam, controlava minha respiração, pois a ansiedade acelerava meu coração.

Eu olhava encantado uma peça sendo produzida, ficava eufórico e em seguida, saía correndo para o meu restaurante, insatisfeito com tudo. Dava bronca em todo mundo, reclamava das coisas certas de forma errada. A solução era ir para casa onde começava a dormir as 22:00h e acordava invariavelmente 01:30h durante 17 dias!!! Levantava, não podia  fumar, porque não fumo há mais há 14 anos;  não podia beber, porque não gosto; então desenhava, desenhava e desenhava.

No dia seguinte voava até o ateliê as 06:00h da manhã super empolgado. A série nova é original e bastante pictórica, e, acima de tudo, consegue mandar o recado, ilustra o turbilhão  de pensamentos, ansiedades, culpas. Redenção!
Nesses dias me aproximo de um entendimento muito claro do drama, aflição, medo, empolgação e da euforia dos meus grandes ídolos. O que me fascinava me tornava introspectivo, em alguns dias, meditativo. No entanto, eu era movido por sentimentos, que agora sei, eram banais e cotidianos. Decepcionei-me ao realizar isso.


Não havia nobreza, nem heroísmos nesses pensamentos, mas somente a mais pura, monstruosa e gigante avalanche de satisfazer o ego, se perpetuar. Como se isso pudesse fazer alguma diferença. Ser reconhecido pelas gerações, bullshit. Em meio a divagações, pensei que é por isso que todo artista é tido meio como louco, pancada, lelé, mas a verdade é mais banal do que isso. É simplesmente não aceitar a sua sina, sua natureza e cumprir o ciclo.


Movido por sentimentos mais meus do que para a sociedade, tirei desse processo particular  um resultado bonito, original e muito trabalhado. Tenho essa convicção sobre esta série, mas não sem ter alguns grilos também. É obvio, faz parte do meu show.



O conhecimento que eu julgava ter de mim mesmo, e a suposta sabedoria de que eu sei o quanto tenho que trabalhar a minha ansiedade, porque sei exatamente até onde posso aguentar, parece não ter surtido muito efeito. Eu mergulhei fundo em um stress nervoso ou síndrome de pânico, não sei. Esses dias todos foram terríveis, difíceis de lidar. Mas tive que trabalhar, não teve jeito, sempre acompanhado de vozes, impulsos que mais pareciam explosões. O nó no estômago apertou, busquei o ar em muitos momentos,  encontrei apenas um pouco e continuei a sina.

Houve um dia que entrei no carro rumo à minha casa - a sensação é que não eu não ia conseguir chegar. Não sei como, cheguei. A pressão foi a 17x10. Cardiologista? Não queria, mas fui arrastado. O médico pediu um monte de exames. A pressão aumentou, na verdade,  o cagaço. Estava tudo normal, mas o medo continuava. Desacelerei, respirei fundo. Não tenho bengala, alias acho que ela não me tem, então o jeito foi não me desesperar, ir devagarinho até passar o ciclo e um dia... não passar!

Pensava em mantra... “simplifique, controle o ego, cumpra o ciclo”...



Essas histórias parecem bonitas, de efeito, promocionais, mas não são. Só quem passa por isso, e não são poucos, sabem. Por que escrevo, não sei. Compaixão, resposta, desabafo, revolta, impacto... Quem sabe?. Talvez um pouco de cada ingrediente desses. Uma coisa é certa, não é novidade, não é raro, é apenas a tragicomédia da vida humana, muitas vezes difícil e outras, surpreendentemente feliz.

Sinto que estou a apenas uma curva da chegada na busca do equilíbrio, mas ao virar não vejo nem a luz, nem o fim, nem o túnel...ainda!

É irônico, é injusto, mas somente alguns chegarão a ser um Caetano ou um Chico; um Picasso ou um Kooning; um Chopin ou um Mozart; um Pelé ou um Zico... Mais irônico ainda, embora justo, é que no fim, tudo vai se nivelar, voltar ao que era antes.


 Wagdy Radwan





30.10.11

FATE: O começo de tudo...


Estou indo para o Pará. Pego um avião e desço em Marabá.Taxi até o rio Tocantins e um pequeno barco para atravessá-lo. Já do outro lado, subo na caçamba de uma pick-up junto com outros 9 passageiros em direção a lagoa de Tucuruí. Após mais ou menos duas horas de viagem, estoura um pneu.

Enquanto aguardo o concerto, fico olhando as paisagens ao fundo, com restos de tocos de arvores, ainda em pé, queimados, e toda aquela aridez que lembrava um cenário de explosão nuclear. Fico triste e, ao olhar para o chão da estrada, desviando meus olhos de tal cenário, deparo com algo mais assustador ainda. Abaixo, pego um punhado de terra do solo e percebo com a  sua fragilidade, o quão próximo ficaremos de um verdadeiro deserto se o equilíbrio da floresta continuar a ser depredado pelo homem.

Algumas obras (fotos) foram, particularmente, inspiradas por essa passagem, pois embaixo da beleza da floresta, esconde-se o verdadeiro perigo, com o homem como coadjuvante desse filme de horror. 








Prognóstico antes impensável para nós, um país preparado em todos os campos possíveis e imagináveis para sermos grandes, para não termos Somálias, nem Afeganistões ou Iraques. Não temos geleiras, maremotos, desertos, falta de água, frio paralisante ou calor insuportável; não temos furacões nem guerras, o que temos são maus homens que não se dobram.



Como o tema é bastante amplo como a vida, as obras navegam pelo social, pela filosofia, ambiente, política, economia e artes. Penso que Fate, ainda mais do que as minhas obras anteriores, reflete a força da diversidade biológica (biodiversidade) e a força (importância) das várias formas (diversidade) de comunicação através das artes plásticas. Um comentário humilde mas contundente da  extinção da biodiversidade pelo homem e a conseqüente extinção do próprio homem (paradoxalmente, a maior diversidade de ervas daninha do planeta).

Wagdy Radwan